quarta-feira, 4 de março de 2009

O MORTO-VIVO - Uma pausa na história... Para outra história

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Lewis Moffin, 12 anos, queria ser filho único. Já havia comentado várias vezes com a mãe, que sempre lhe respondia do mesmo jeito: “Que besteira, querido! Seu irmão é mais legal e divertido do que você pensa”. Mas Lewis não se conformava em ouvir isso.
Lewis tinha um irmão gêmeo, Kório Moffin, que o adorava, mas Lewis o achava um porre. Eles eram gêmeos idênticos. Seus pais só conseguiam distingui-los porque Kório tinha um sinal pequeno na orelha. Lewis achava o sinal esquisito e sempre que o via agradecia por não ter sido ele que o teve.
– Mano, vem brincar comigo! – Kório o chamava da sala de estar, mas Lewis ignorou seu pedido.
– Lewis, vá brincar com seu irmão! – disse sua mãe.
– Mas ele só brinca de coisas de bebê! – defendeu-se Lewis.
– Ele tem a sua idade! – reclamou sua mãe. – Vá brincar com ele! Agora!
Como não gostava de discutir com a mãe, Lewis foi até a sala de estar atravessando o imenso corredor. Em uma das paredes, havia um quadro de um jarro com flores.
Ao chegar à sala de estar, Lewis viu seu irmão sentado no sofá, desenhando. Ele havia desenhado ele mesmo e estava perfeito. Lewis ficou com um pouco de inveja. Ele tinha inveja de Kório porque ele desenhava muito bem e Lewis não desenhava tão bem. Mas para que Kório não percebesse que ele estava morrendo de inveja, disfarçou:
– Essa é sua brincadeira?
– Sim – respondeu Kório. – Por quê? Você não gosta de desenhar?
– De-tes-to! – mentiu Lewis.
– Atenção! – gritou uma voz feminina. Os irmãos se assustaram. – Todos pra cama!
– Vamos, Kório, mamãe está nos chamando para ir dormir – disse Lewis, depois de se recuperar do susto, puxando o irmão pelo braço.
– Já vou – respondeu Kório. – Estou terminando de desenhar os olhos.
Ninguém sabia por que Kório sempre desenhava o rosto dos personagens por último.
– Vamos pessoal! – gritou a mãe.
Vamos, Kório – repetiu Lewis, ainda puxando Kório pelo braço esquerdo.
Kório desenhou as pupilas em seus olhos e acompanhou Lewis até o quarto. Kório e Lewis dividiam o quarto. Dormiam numa cama de casal. Lewis detestava isso. Ele sempre quis uma cama (e um quarto) só para ele.
– Amanhã eu melhoro esses olhos – disse Kório. Mal sabia ele que não ia ter tempo para fazer isso no dia seguinte.

Um comentário:

Andreia Santana disse...

Nossa, seu texto está amadurecendo de uma forma deliciosa de ler! Parabéns pela nova história